LEGADO

O que escrever sobre quem soube escrever-se em atos, será sempre pouco. Há presenças que permanecem além das palavras, gravadas na memória dos que caminharam juntos. Algumas palavras o tempo apagará. Outras, quando vestidas de exemplo, se tornarão permanência. Por aqui passou e não deixou apenas registros, deixou marcas, boas obras e amigos. Buscou a excelência não como rigidez fria, mas como cuidado com as pessoas e fidelidade à missão. Fomos parte dessa obra. Instrumentos, talvez. Mas também fortalecidos por ela. Confiou tarefas. Acolheu sugestões. Reconheceu esforços e, no comando, soube que comandar não é erguer a voz, mas sustentar a direção. À frente do Colégio Militar de Campo Grande, não exerceu somente a autoridade em uma organização militar, conduziu uma escola. Aqui mostrou que disciplina e formação caminham juntas; que hierarquia não dispensa escuta; que autoridade não exclui humanidade. Demonstrou que o saber não se impõe, compartilha-se. E que ensinar é reconhecer no outro potência e singularidade. Apesar de ter a experiência de longas jornadas, guardou a jovialidade de quem ainda acredita no novo. Houve firmeza, diálogo, comando e exemplo. Agora segue. Missões se renovam. Leva consigo o respeito de seus professores. Deixa mais que uma função ocupada: deixa um parâmetro. Prova de que é possível comandar com competência, formar com compromisso, liderar com humanidade. Partidas fazem parte da missão. Permanências, do legado. E o legado não mora apenas nos registros oficiais, mas na cultura fortalecida, nos vínculos construídos, na confiança que permanece. Que a mesma retidão o conduza. Que a mesma clareza o oriente. Que o mesmo espírito formador o acompanhe. Aqui fica nossa gratidão, serena, respeitosa e permanente.

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