
Hoje, ao recordarmos o gesto de humildade de Jesus no Lava-Pés, contemplamos um amor que não exclui, não mede, não espera perfeição. Um amor que se inclina. Entre nós, há quem sempre se apresentou com passos firmes… e há também quem venha com passos limitados. E, ainda assim — ou talvez justamente por isso — fora escolhido. Outros poderiam estar ali, mas foi ele a quem Jesus quis alcançar com esse gesto. Ele, um participante ativo das pastorais, homem temente a Deus e de fé fervorosa, tem construído sua caminhada no serviço, na presença e na entrega — mesmo em passos limitados. Hoje, mesmo com um dos pés imobilizado, não deixou de responder ao chamado. Ofereceu a Jesus o que lhe era possível, o que lhe restou. E isso bastou. Talvez ele mesmo pudesse dizer, como Pedro: “Senhor, assim não…” Mas Jesus, com a ternura de quem ama até o fim, responde também hoje: “Deixa-me fazer. Deixa-me cuidar de ti.” E assim, diante de nós, o gesto se torna ainda mais profundo: não é apenas Jesus que lava os pés de quem pode caminhar, mas também daquele que, por agora, está limitado. Porque o amor de Cristo não depende da nossa condição — Ele nos alcança como estamos. Hoje aprendemos que, mesmo quando nos falta algo, ainda podemos oferecer o essencial: a disponibilidade do coração. E, no silêncio desse gesto, somos lembrados: é na fragilidade acolhida que Deus mais se revela.