No Dia de São José de Anchieta, padroeiro dos catequistas, nós, que atuamos na Pastoral Catequética, temos a oportunidade de olhar o passado para iluminar o presente. Quando Anchieta chegou em terras brasileiras, ele e os demais integrantes da missão se depararam com nativos que nunca tinham ouvido falar de nosso Deus. A missão inicial foi o que a Igreja chama tecnicamente de Querigma — uma palavra que vem do grego e significa, simplesmente, o primeiro e mais essencial anúncio do Evangelho. O Querigma não é uma lista de regras ou decorebas, mas a proclamação direta do núcleo da nossa fé: Deus ama você pessoalmente, Jesus Cristo se entregou para salvar a sua vida e Ele está vivo hoje ao seu lado. Anchieta fazia isso com criatividade, aprendendo a língua dos nativos, escrevendo poesias e encenando peças de teatro para fazer o amor de Deus ser compreendido.
Hoje, a nossa realidade na catequese com crianças, jovens e adultos é um pouco diferente, mas o desafio é igualmente grandioso. Nossos catequizandos não precisam ser “convertidos” no sentido estrito; eles já são batizados e conhecem o nome de Jesus. O papel atual de um catequista não é o de ensinar do zero, mas o de aprofundar uma fé que muitas vezes está adormecida. Aqueles que chegam até nós, e muitos nos são enviados apenas em busca dos sacramentos, como a Primeira Eucaristia e a Crisma, frequentemente enxergam esses momentos apenas como ritos sociais ou datas no calendário. É aí que entra a nossa missão inspirada em Anchieta:
- Não somos apenas professores de religião: Nós somos testemunhas. Nosso dever é reapresentar aquele “primeiro anúncio” do amor de Deus de um jeito tão cativante que toque o coração deles.
- Passar do “decorar” para o “viver”: Preparar para os sacramentos significa ajudar o catequizando a criar intimidade com Deus, fazendo-o compreender que cada mistério celebrado na Igreja tem poder para transformar a sua vida cotidiana.
- Demonstrar que a Igreja é viva: Inspirá-los para que permaneçam na fé e não apenas para que venham a ser “crismados”, mas para que encontrem motivação real para viver a fé de forma comunitária.
Que, com o exemplo desbravador de São José de Anchieta, saibamos falar a linguagem dos “nativos” de hoje, acolhendo cada história com paciência e conduzindo nossos catequizandos a um encontro real, maduro e profundo com Cristo.