O Miserível

Ele acabara de completar sessenta anos. Agora ele estava “sexagenário”. A primeira providência foi procurar a Assetur (Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano) que engloba o Consórcio Guaicurus para fazer a carteira do “Passe Livre”. Com os documentos em mãos, comprovante de residência e o formulário preenchido, retirou a senha e entrou na fila para o cadastro. A Atendente, muito simpática, iniciou o preenchimento dos dados conferindo o nome, endereço e telefone. Sexo, gênero e nome social e a idade, conferindo com as cópias dos originais anexados. Conferiu a existência de doença crônica, comorbidades e necessidades especiais, não que o consórcio atenderia a todas, mas sempre era bom tomar conhecimento, vai que… Seu Isluiz, assine aqui, nas duas vias. Vamos encaminhar a solicitação para deferimento, em caso deferido, o senhor retorna para a foto a emissão do passaporte. Depois da espera, a sequência da senha chegou e para a entrevista o auditor o chamou. O senhor não é Estudante, ENEM não vai fazer, nem é PcD, nem idoso. Completei sessenta! é com sessenta e cinco. A gratuidade ainda não lhe ampara, formalmente, mas com esse nome… O cartorário se enganou ou trocou alguma letra? Isluiz Miserível da Conceição é diferente. É parente de algum maestro? Não! Me ampara? Só quando o último domingo voltar a ser livre, e só no domingo. Professor não sai de casa no domingo, só para a missa, mas a igreja fica na frente de casa. Tem que ficar a 2000 metros. Sua carteira ficará pronta quando o senhor completar sessenta e cinco anos, ou seja daqui cinco anos. Será automático. Opte pela eletrônica, será mais rápido. Obrigado por sua presteza e até lá, enquanto isso a gente deixa adiantado por aqui. As coisas mudaram. Agora está assim, só com sessenta e cinco? Só! Próóóóóóximo.

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