A escala da Pastoral dos MESCs (Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão) é apertada. Todo final de semana tem representação na missa dominical. A paróquia oferece celebrações diárias aos fiéis devotos, sem exceções — nem na segunda-feira o padre renuncia à prerrogativa de santificar o dia em sua escala 6×1. Cada celebração exige dois ministros escalados. De segunda a sexta, ocorre uma celebração na Matriz, à exceção dos dias santos e dos consagrados aos padroeiros. Aos sábados e domingos, a escala litúrgica corre solta.
Com cinco comunidades, a escala se completa com, no máximo, quinze voluntários que se revezam periodicamente. Seria uma escala fácil de cumprir, se não fosse a mudança brusca no fuso horário paroquial: as missas semanais passaram para as seis horas da manhã. Cumpra-se!
Desesperados para não se atrasarem para o expediente profissional, os escalados começam a se engalfinhar. “Alguém na missa de amanhã pode me substituir?”, lança um apelo no grupo de WhatsApp. Ir à missa às seis da manhã é quase uma penitência diária, embora o vigário enalteça a oportunidade de louvar o Senhor e partir de alma lavada para os afazeres do dia.
Devido às constantes participações de salvamento no altar do Senhor e na distribuição das hóstias, aquele ministro específico passou a ser conhecido como Severino. Com o tempo, não se viram mais postagens de socorro no grupo de WhatsApp, e ninguém mais se preocupava com a escala. Sabia-se que, mesmo quando o escalado do dia não aparecia, o Severino estaria lá. Tornou-se um hábito: ele ia à missa já vestindo sua túnica de ministro, vai que alguém faltasse.
“Podemos começar a celebração?”, pergunta o padre na sacristia. “Sim, o Severino chegou”, responde a beata. Severino, a postos, embarca na procissão de entrada. Afinal, para garantir a comunhão dos fiéis em cima da hora, era só “Cara crachá”.