POR QUE CATAPORA?

Fui à comemoração do Dia dos Pais na escola de meus filhos. A filha mais nova ainda frequenta esta escola, o mais velho está em outra. O sábado estava frio e os eventos realizados na parte coberta não nos pareceram atrativos. Acho que a parte ensolarada estava mais convidativa. A programação foi divulgada em cartazes distribuídos pelas pilastras do prédio. Em cada coluna lia-se: horário, alunos e evento. Para o Fundamental II, havia opções de Circuito de atividades físicas, Vôlei, Xadrez gigante e palestra na sala de TV. A melhor opção, por unanimidade, foi a palestra. O pessoal da área psicológica já nos aguardava para, junto com os demais pais, iniciar a atividade e, depois, a exibição de um filme. A psicóloga foi logo chamando os pais para uma dinâmica: cada um deveria dizer qual a lembrança mais antiga que guardava de seus filhos. Como a pergunta foi “à queima-roupa”, falei da primeira que me veio à mente: a catapora!

As dinâmicas se seguiram. A nova participação dos pais, desta vez junto com os filhos, consistia em responder:

Qual o legado que o pai vai deixar para a filha?

E qual o legado que a filha levaria do pai?

Naquele momento, não consegui responder nada por causa da emoção. Mas minha filha foi logo dizendo: — O caderno de receitas! Meu filho, que mesmo não estando mais na escola também entrou na dinâmica, respondeu: — As ações de caridade e amor ao próximo.

Devo dizer que me senti lisonjeado pelas boas e satisfatórias respostas. Disse a mim mesmo: Estou bem, hein! Depois fiquei pensando se minha participação não teria sido mais proveitosa. Às vezes consigo controlar (ou disfarçar) minha emoção — o choro! — e apresentar um desempenho mais seguro. Refletindo, percebi que a catapora foi uma lembrança (boa?) que me remeteu à tenra idade de minha filha, quando contraiu a doença sem termos tido tempo de vaciná-la. Por isso, nela, veio com força total, diferente do filho, que apresentou poucas bolhas. E sobre o meu legado… Se eu tivesse tido tempo para refletir, talvez dissesse: acordar cedo; cumprir horários com antecedência; ter uma religiosidade instigante… Mas provavelmente receberia protestos dos dois filhos! O que eles me disseram já foi suficiente para me deixar feliz: Homem chora. Mas meu pai chora mais.

E por que a catapora se tornou providencial naquele momento? Porque a vida é feita de momentos. Minha filha não terá mais catapora — foi um evento único, assim como cada acontecimento em nossas vidas.

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