A solicitação deu entrada no protocolo e foi prontamente encaminhada para quem de direito. À primeira vista, o endereçado desconhecia a ocorrência, mas sugeriu outro indicado, teoricamente mais bem qualificado sobre o assunto. Este também declinou da deferência, carimbou o papel e o encaminhou a uma seção de assuntos genéricos que, porventura, pudesse dar providência ao caso.
As quarenta e oito horas que cada seção disponibilizava para resposta foram cumpridas à risca. Assim, o documento protocolar passeou livremente, sem nenhuma resolução, até que o encaminhamento foi parar, em tom de súplica, nas mãos de quem sempre “matava no peito” e definia o placar na repartição.
Ele já era atribulado por natureza e tinha resposta para tudo, mas daquela solicitação específica nem ele estava disposto a cuidar. Como era para a sua mesa que escorriam todas as pendengas irresolutas da secretaria, o Severino da vez, ao ler os despachos na cronologia inversa, desvendou o mistério: concluiu que o primeiro encaminhamento já havia nascido deslocado. Era para o seu departamento que aquilo deveria ter sido enviado originalmente. Que seria respondida como: Solicitação improcedente! Seguir a ordem regulamentar era só “Cara crachá” e ponto final.